José Sarney vive seus últimos momentos e o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, aquele que excomungou todos os adultos envolvidos no aborto de uma gravidez de alto risco em menor estuprada, está se aposentando.
Por ROBERTO VIEIRAsobre poema de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
"E agora, José? A reza acabou, a presidência dançou, o povo sumiu, o escândalo esfriou, e agora, José? E agora, você? Você que tem nome, que zomba dos outros, você que excomunga, cala quem protesta, e agora, José?
Está sem respeito, está sem discurso, está sem destino, já não pode benzer, já não pode empregar, iludir já não pode, a verba esgotou, o milagre não veio, o aplauso não veio, o jetom não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?
E agora, José? Sua negra casaca, seu instante de santo, sua imortalidade, sua biblioteca, sua lavra de ouro,
seu te rno de oligarca, sua incoerência, seu trono - e agora?
Com a caneta na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no Maranhão, mas o Maranhão secou; quer ir para Roma, João Paulo não há mais. José, e agora?
Se você confessasse, se você se arrependesse, se você tentasse ser igual a toda gente, se você dormisse, se você sonhasse, se você morresse… Mas você não morre, você é eterno, José!
Sozinho entre os muros príncipe em seu palácio, só teologia, sem verdade nua para se perdoar, você é o dono do mar que fugiu a galope, você foge, José! José, pra onde?"
Pra quem ainda não viu o documentário sobre Wilson Simonal, tema do post Nem vem que não tem...publicado ontem, coloco aqui uma mostra do que ele era capaz.
É impressionante a maneira como ele conseguia cativar e comandar a plateia.